BEGIN TYPING YOUR SEARCH ABOVE AND PRESS RETURN TO SEARCH. PRESS ESC TO CANCEL

NP#2

Comus – First Utterance (Dawn Records, 1971): Na mitologia grega, Comus (Κῶμος), o filho e copeiro de Dioniso, era o deus da diversão, orgia e flertes às escuras. Como entidade divina, representava o excesso. First Utterance também é assim, algo como o equivalente freak folk de um filme do Kenneth Anger: ares de festa pagã, instrumental denso e letras sobre temas sinistros, como estupros, assassinatos e insanidade. Inclui um cara cantando como uma cabra.

Fellini – Amor Louco (Wop Bop, 1990): Os fãs, a imprensa e o próprio Cadão Volpato podem achar 3 Lugares Diferentes o melhor disco da carreira do Fellini, mas meu voto vai para Amor Louco. Foi o momento em que eles deixaram a simplicidade minimalista das gravações lo-fi em favor de arranjos intricados de violão. À época, acredito que a única banda que concebeu uma mistura do post-punk inglês com a MPB tão bem acabada foi o Picassos Falsos com o seu Supercarioca, mas Amor Louco é ainda melhor.

Pocahaunted / Robedoor – Hunted Gathering (Digitalis, 2007): Essa colaboração reúne ângulos opostos de como fazer drone: o industrial barulhento do Robedoor e o folk arcano do Pocahaunted (que incluía a líder do Best Coast, Bethany Cosentino). Ambos os grupos brilham aqui, mas “Warmest Knives” do Pocahaunted é uma avalanche. Uma das músicas mais bonitas que já ouvi.

Nōh Mercy– Nōh Mercy (Superior Viaduct, 2012): O Nōh Mercy foi um duo formado em San Francisco durante os anos setenta. Esse lançamento de arquivo reúne as poucas gravações registradas pelo grupo. O som é um post-punk despido aos elementos mais básicos. De certo modo, uma contraparte à cena no wave que fervilhava em Nova Iorque no mesmo período.

Kip Hanrahan – Coup de Tête (American Clavé, 1981): De acordo com alguns relatos, Kip era um cara um pouco problemático, mas teve a clarividência de unir diferentes linhas esotéricas do panorama underground nova-iorquino do início da década de 80 nessa mistura bizarra de jazz, no wave e prog rock. As raízes do Golden Palominos (Antor Fier, Arto Lindsay, Bill Laswell, Jamaaladeen Tacuma, etc) parecem ter surgido desse disco, por exemplo. Ouça “Shadow to Shadow” e a “A Lover Divides Time” para entender.

Bill Hicks – Rant In E Minor (Rykodisc, 1997): Meu set preferido do Bill Hicks. A temática das piadas é bem mais sinistra e cruel do que a dos registros anteriores, além de Hicks parecer tão furioso que até grita com o público em alguns momentos. É um dos dez discos favoritos do Tom Waits. Não ouça se você é anti-aborto, católico ou conservador.

Sacrilege – Behind the Realms of Madness (COR Records, 1985): A Relapse Records está preparando o primeiro relançamento remasterizado e restaurado da estreia do Sacrilege, grande banda que misturava o d-beat com o som do, então insurgente, thrash metal. Esbarrei numa coletânea pirata de demos na Extreme Noise Discos, mas já tinha gastado toda a minha verba.

Baba Salah – Borey (Camara Productions / Musiki, 2005): Cheguei nessa fita malesa por indicação do Zachary Cole Smith, líder do DIIV. Como acontece com qualquer guitarrista originário de lugares fora do mapa da produção musical mainstream, o cara ganhou fama na Internet como o “Jimi Hendrix de seu país” (o que não tem nada a ver). A gravação precária pode ser um pouco frustrante, principalmente por causa dos timbres toscos dos teclados, mas vale conhecer.

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked