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NP#3

C.C.T.V. – Quiet (Lumpy Records, 2015): Quiet dá conta de todos os adjetivos usados para classificar o C.C.T.V. desde que “Mind Control” começou a circular como um áudio perdido pelo Tumblr. Quatro músicas frenéticas, minimalistas e precisas com o som de uma fita cassete de terceira geração. Esse disco já pode provavelmente ser considerado um clássico no underground e se ninguém comentou sobre ele com você talvez seja a hora de começar a reavaliar suas amizades.

Sacred Paws – Six Songs (Rock Action Records, 2015): Pelas polirritmias sem esforço e abstenção total aos power chords, você possivelmente vai associar o Sacred Paws ao The Raincoats, mas, na minha imaginação, a dupla soa como as Slits sendo lideradas pela Neneh Cherry. Não há uma passagem nessas seis músicas que não seja energizante e divertida. Rachel Aggs é uma guitarrista genial.

Sang – Món Oblidat (La Vida Es Un Mus, 2015): Uma das minhas estratégias para descobrir bandas novas é checar com quem o Destruction Unit anda tocando. Numa dessas, descobri Món Oblidat e ele se tornou a trilha sonora de todas as minhas manhãs. Da mesma maneira que outras bandas da La Vida Es Un Mus, como o Barcelona ou Una Béstia Incontrolable, o Sang substitui a velocidade constante do hardcore por muito peso e feedback, mas as composições são ainda melhores e muito do crédito é dos gritos em catalão da Marta. Ouvir ela berrar “hem perdut la son, hem perdut els somnis, hem perdut la vida” é de onde tiro forças para encarar mais um dia lixo de trabalho.

Ragana – Wash Away (An Out Recordings, 2015): Em atividade desde 2012, gravando fitas cassetes e CDs-R quase artesanais, essa é a primeira vez que o Ragana lança um registro em vinil e não poderia ser numa oportunidade melhor que essa. Parece que Maria e Nicole entenderam o que Slint tinha a dizer e decidiram levar além, adicionando a aspereza do black metal e o peso do doom aos andamentos longos e repetitivos que formam a base de Spiderland. Em 1992, numa resenha na revista Melody Maker, Steve Albini disse: “We are in a time of midgets: dance music, three varieties of simple-minded hard rock genre crap, soulless-crooning, infantile slogan-studded rap and ball-less balladeering. My instincts tell me the dry spell will continue for a while – possibly until the bands Slint will inspire reach maturity”. Esse tempo chegou.

Vektor – Terminal Redux (Earache, 2016): É difícil imaginar que uma banda que toque metal per se, ou seja, sem fundir elementos de outros gêneros, consiga soar inovadora e produzir algo desse calibre hoje. Por outro lado, se houvesse alguém capaz de fazê-lo, com certeza seria o Vektor. Terminal Redux não é só melhor álbum de metal do ano, como também é o meu disco favorito de 2016 até então. Vektor 2016: Make Thrash Great Again.

川島誠 [Makoto Kawashima] – HOMO SACER (PSF Records, 2015): A estreia solo do saxofonista Makoto Kawashima na lendária PSF Records alterna momentos de beleza e violência, seguindo a tradição de gente como Masayoshi Urabe, Harutaka Mochizuki e Takayuki Hashimoto. De acordo com o encarte, a primeira música foi gravada ao vivo numa galeria em Saitama, um dia de tempestade em que Makoto tocou voltado para o teto com uma palheta dada pela mãe do Kaoru Abe. Free jazz não poderia ser mais espiritual do que isso.

偏執症者 [Paranoid] – Satyagraha (D-takt & Råpunk Records, 2015): Reunindo traços de Celtic Frost, Hellhammer, noisecore, hardcore finlandês e crust japonês, o Paranoid é uma das bandas que faz o coração do kängpunk continuar batendo. Além de cuidar do catálogo da D-takt & Råpunk Records, o líder Jocke D-Takt, o homem mais inquieto do hardcore, também botou na praça um split com o Absolut, um EP e uma série de covers com uma versão a cada mês ao longo de 2015. Todos no mesmo nível.

Viet Cong – Viet Cong (Flemish Eye Records, 2015): Nenhum ano pós-1984 foi tão próspero para o post-punk quanto 2015 e o primeiro álbum do Viet Cong é um exemplo disso. “Death”, uma homenagem ao falecido companheiro de Women, Christopher Reimer, consegue ser ainda mais intensa ao vivo. No entanto, ripping it up e starting again não é um negócio fácil, seja no início dos anos 80 ou hoje, e a banda foi mal recebida por ter sido batizada com o nome do exército sul-vietnamita. Eles, enfim, mudaram de nome e talvez recebam o reconhecimento que merecem (ou chegou a hora de atear fogo nos discos do Fugazi, Gang Of Four, Joy Division, New Order e Dead Kennedys).

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