RUINS alone (25 de novembro – Audio Rebel)

20161124_203646

Como baterista e compositor, Tatsuya Yoshida tem feito música diabólica, ridícula e frequentemente desconcertante por mais de 30 anos. Boa parte deles foi ao prog/math-rock denso e hipercinético do Ruins. A formação em duo, baixo e bateria, da banda sempre pareceu minimalista demais para a complexidade das composições. Ver Tatsuya executar o mesmo material ao vivo e sozinho parece loucura.

E foi muito louco.

Mesmo para um fã de longa data do Ruins, bem versado na velocidade pós-humana e no ataque balístico característicos do grupo, foi chocante. A maneira fluída com que Tatsuya toca músicas com estruturas tão absurdamente exigentes, acompanhada pelas linhas de voz que não fazem sentido nenhum além da fonética, faz tudo parecer fácil demais.

Filmei “Glaschenk”, que não é das mais frenéticas mas a minha preferida do álbum do RUINS alone. Lembra algo de “Counsel Please” do Togawa Fiction. No fim da noite, Tatsuya participou de uma jam com os poloneses do LXMP, que também fizeram um bom show.

Tatsuya Yoshida no Brasil

612fef90

 O lendário YBO² em idos dos anos 1980 (Tatsuya é o primeiro à direita)

O baterista japonês Tatsuya Yoshida será um dos artistas convidados do 4º Festival Música Estranha, em São Paulo, e do Antimatéria 2, no Rio de Janeiro. O músico virá ao Brasil para se apresentar como Ruins alone, um variante solo do duo progressivo Ruins.

Um dos grandes nomes da música de vanguarda japonesa, Yoshida teve seu auge na segunda metade dos anos 1980, quando gravou clássicos como In the Dark (1985) com o Phaidia, Aburadako (1985) com o Aburadako, Taiyou no ouji [太陽の皇子] (1986) com o YBO², Ruins III (1988) com o Ruins e Maximum Money Monster (1989) com o Zeni Geva. Saiba mais sobre esses discos aqui.

Mesmo após sua separação desses grupos, continuou a fazer ótimos discos, cada vez em maior número. Togawa Fiction (2004), disco de releituras em que a lendária Jun Togawa reuniu um time estelar com Mitsuru Nasuno, Hoppy Kamiyama, Dennis Gunn e Whacho, é um disco espetacular que renovou apontou caminhos ainda mais absurdos para o repertório da cantora. New Rap (2006), uma parceria com Keiji Haino, também é essencial.

Recentemente, Yoshida gravou um disco com Richard Pinhas durante a passagem do guitarrista francês pelo Japão que quase ninguém falou, mas vale conferir: Process and Reality. O release da Cuneiform Records não está brincando quando afirma que o objetivo da empreitada era “conjurar uma serenata profana para uma sociedade à beira do colapso, um turbilhão de profecias pessimistas transformado em um monolito de som”. Para isso, o álbum conta com uma forcinha do Masami Akita – sim, o Merzbow.

Não perca esses shows.

4º Festival Música Estranha (SP)
24 de novembro – 26 de novembro
www.musicaestranha.me

Antimatéria 2 (RJ)
24 de novembro – 27 de novembro
https://www.facebook.com/events/320905954963375/

Abaixo (clique para aumentar): Boredoms e Ruins com novos lançamentos na FOOL’s MATE nº 61; YBO² e ASYLUM em anúncio de 1989; e uma matéria sobre o YBO² na FOOL’s MATE nº 79.