Calibã e a Bruxa – mulheres, corpo e acumulação primitiva

Hoje, depois de tanto tempo ausente, publico algumas poucas notas sobre uma das obras mais sensacionais que eu já tive o prazer de ler: “Calibã e a Bruxa”.

“O mundo deverá sofrer uma grande sacudida. Acontecerá uma situação tal que os ímpios serão expulsos dos seus lugares e os oprimidos se levantarão.” Thomas Müntzer.

“Não se pode negar que, depois de séculos de luta, a exploração continua existindo Somente sua forma mudou. O “mais-trabalho” extraído aqui e ali pelos atuais senhores do mundo não é menor, em proporção, à quantidade total de trabalho que o mais-trabalho que se extraía há muito tempo. Porém, a mudança nas condições de exploração não é insignificante {…} o que importa é a história, a luta por libertação.” Pierre Dockes.

Aqui, se debate justamente o que já publiquei anos anteriores nesse mesmo blog: as acadêmicas feministas traçam um estudo sobre o assassinato em massa de mulheres na era medieval e como o surgimento do capitalismo coincide com isso. Segundo o livro, essa “coincidência” se dá justamente para destruir o controle reprodutivo que as mulheres tinham sobre o próprio corpo.

A autora se esforça para esboçar  um esquema que explica a relação da caça às bruxas com o desenvolvimento contemporâneo das relações entre trabalho mais-valia e trabalho reprodutivo o confinamento das mulheres a este último.

Hoje, reivindicar-se feiticeira e praticar feitiçaria é reivindicar nossas raízes. Uma época que já fomos mais donas de nós.

Não darei spoilers, quem conseguir ler, leia :)