BEGIN TYPING YOUR SEARCH ABOVE AND PRESS RETURN TO SEARCH. PRESS ESC TO CANCEL

Relatos da depressão – sobre o elefante branco no meio da sala

Esta última recaída foi uma das mais difíceis desde o quadro depressivo agudo que eu tive em 2014.

Como uma forma de manter minha comunicação com o mundo exterior, lancei uma série alguns relatos no Facebook que renderam muitos comentários, amor, compartilhamentos e mensagens inbox de superação e até mesmo pedidos de ajuda.

Falar abertamente sobre o distúrbio que mata 800 mil pessoas todos os anos é falar abertamente sobre o elefante branco que vive no meio da nossa sala mas todos preferem acreditar que ele não existe. Recebi muitos relatos, muitos agradecimentos de pessoas que se identificaram com meus relatos e sequer sabiam que tinham depressão.

Espero, sempre, ajudar <3

Deixo aqui, então, meus relatos:

 

23 de julho · Canoas ·

 Relatos da depressão que ninguém quer saber mas vou falar mesmo assim:

A depressão é uma doença (sim, doença, bem como cálculo renal ou diabetes) incapacitante. A dor e a agonia são insuportáveis, o menor ato – até pisar no chão – se torna um fardo. Teu corpo fica 10× mais pesado, como se tu carregasse sacos de batatas nas costas. Parece que tu vais quebrar a qualquer momento.

Porém, cada quadro depressivo carrega suas pequenas vitórias: hoje, levei o lixo pra fora ♡

 

______________________________________________________________

17 de agosto · Porto Alegre ·

 Relatos da depressão, parte II:

O processo de saída de um quadro depressivo é delicado, muito delicado. O prazer sentido nas atividades antes feitas vai retornando aos pouquinhos, o que nos faz querer abraçar o mundo todo (de novo). Assim, é muito fácil termos dias difíceis (de novo) e isso é frustrante pois parece que o quadro nunca, nunca vai melhorar.

O que eu digo? Paciência. Muita paciência. Vai melhorar, sim. Se alguma atividade pesar, não faça. Ou faça com ajuda. E não se culpe por não conseguir.

Além disso, indico muito suco de laranja e chá de laranja com especiarias (cravo e canela).

Não tem nada que um chá e um suco de laranja não resolva  (e nada que uma revolução socialista também não resolva, já que precisamos transformar a dor em luta, mas isso dá outro post ♡)

______________________________________________________________

23 de agosto às 20:25 · Porto Alegre ·

 Relatos da depressão, parte III:

Fui pra academia hoje.

Isso já diz o suficiente.

______________________________________________________________

Relatos da depressão, parte IV:

O quadro depressivo possui três fases: o início da recaída (agressividade, distúrbio no sono – e por vezes na alimentação -, falta de memória, cognição afetada), a queda mesmo (a fase não-consigo-sair-da-cama) e, na fase da melhora, a oscilação.

Estou na fase de oscilações.

Alguns dias são bons, alguns são péssimos e outros são muito ruins. Tive 4 dias ruins seguidos que eu me fechei tanto que nem com a namorada eu conversava (coitada, pagando o pato).

Hoje acordei muito bem, mas com uma sinusite da porra. Se a mente cala, o corpo grita.

 

_______________________________________________________________

12 de setembro às 14:34 · Porto Alegre ·

 Relatos da depressão (e ansiedade) parte V:

Hoje temos prova de Penal II: teoria do crime.

Estamos tentando não sair por aí correndo gritando STALIN MATOU FOI POUCO. Até agora, com sucesso. Mas são apenas 14h33.

 

_______________________________________________________________

Relatos da depressão (e ansiedade), parte VI:

Não saímos por aí gritando STALIN MATOU FOI POUCO sem roupa e com olhos esbugalhados.

Mas a ansiedade me deixa com o corpo trêmulo, a voz embargada, me falta o ar e me aperta o peito. Não consigo prestar atenção na aula de Civil (e acho que Teoria das Normas é bem importante). Tou aqui, então, comendo o fini tubes que a mozona me deu (valeu, mozao).

Marx está comigo!

_______________________________________________________________

Relatos da depressão, parte VII:

Eu sobrevivi a uma das piores recaídas que eu já tive (tirando aquela fase suicida lá em 2014 em que, também, sobrevivi a duas tentativas).

Sobrevivi a todo o processo das oscilações, toda dor, toda angústia e toda a agressividade (nem menciono as alucinações).

A maré está favorável por aqui. Os ventinhos frescos que anunciam o fim do inverno fazem só pequenas ondinhas, sem grande caos. Já posso brincar de jogar pedrinhas no lago pra vê-lo balançar. Já se aprochega a fase da calmaria.

Já estou bem ♡

Essa foto é dessa manhã, quando a tempestade já se encaminhava pro alto mar.

 

14358643_1221317814556014_4425172521607275551_n

Sou a Camila Souza. Estudante de Direito, ex estudante de Letras, professora de inglês e literatura, sagitariana e tomo chá mesmo no verão.

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked